Certa vez, conversando com uma amiga viajante, isso há muitos anos, nem conhecia a Geya, na ocasião, viajava solitário. Entre nossos bate papos, perguntei qual foi o viajante que ela mais havia se impressionado:
- Foi uma mulher, Edu, uma suíça. – e continuou…
- A conheci pelos lados da Ásia. Era uma velhinha, talvez tivesse uns 70 anos. – Viajava sozinha e sem medo – Seu companheiro de viagem, o seu marido, havia morrido há anos, e ela não desistiu de viajar, ainda que só e triste, não conseguia parar.
Disse-me que viajava assim também para sempre mantê-lo vivo em sua memória, pois os dois viajaram o mundo inteiro. Viajaram por uma África diferente dos dias de hoje, uma Ásia sem turistas, uma América Latina que fervia em revoluções.
Que história bonita dessa Suíça… muito legal!
- Ela me impressionou muito, Edu, pela sua disposição e serenidade ao falar… Você precisava arrumar uma viajante assim para você…
Irônico, semanas depois conheci a Geya, igualmente Suíça.
- Edu, péra aí; não existe estado do Tapajós no Brasil, e Santarém fica no estado do Pará!
Por enquanto, pois aqui ninguém aceita o que aconteceu. 92% são a favor da descentralização e formação desse estado, assim como o pessoal do estado de Carajás. Quem conhece as realidades dessas regiões sabem bem o porquê, e mais, sabem porque Belém não quer a separação, mas eles vão conseguir… E um fator de justiça social, cultural e humana que envolve isso.
- Edu, mas tem muita gente lá do sul do Brasil que acha que isso só vai gerar mais cargos públicos.
Sim, é fato. Tem muita gente lá no sul do Brasil que nunca observou porque os EUA são uma potência (mais ou menos do mesmo tamanho do Brasil com 51 estados), e muito menos o que se passou com o estado de Tocantins e Mato grosso do Sul, ou seja; muita gente que não viaja, apenas são papagaios da mídia. Descentralização é poder mais próximo do povo… sempre!
Bem…
Santarém é uma cidade legal, apesar de ser grande pode-se caminhar tranquilo por ela. Tem uma série de debilidades, assim como toda a região, pois toda a sua riqueza vai para Belém e suas proximidades.
Seu maior orgulho se chama rio Tapajós. Dos grandes rios da Amazônia, o mais lindo, mesmo em período de chuvas suas águas permanecem límpidas, diferente do rio Amazonas que é um rio barrento, mas opulento. Quando é verão, o Tapajós, têm suas águas de coloração de verde para o azul.
Da orla é possível ver o encontro das águas e suas diferenças.
- Edu, diz uma coisa: Tá frio aí? Pois é inverno por estes lados…
No norte do Brasil, o conhecido inverno vem do termo invernada, ou seja, chuvas. Assim se passam seis meses, os outros seis são sem chuvas, também conhecido como verão… mas sempre quente!
Na realidade, se fosse falar de Santarém olhando pelo olhar de um paulistano diria que é uma cidade caótica, porém olhando pelo olhar de um viajante direi o que acho… a Geya pensa igual:
Incrível!… Como isso aqui se parece com o sudeste asiático. É muito parecido com a Tailândia, Laos e Camboja. Suas ruas, as sarjetas, o trânsito indisciplinado, as casas, o comércio e o mais enigmático: Os nativos… como se assemelham com os de lá.
É, o mundo tem mais mistérios que pensamos.
Uma coisa é fato: Santarém, vale uma viagem!!!
Cabelo ao vento, barba por fazer, e cerveja CERPA (cervejaria do Pará)
Nós cruzamos a BR 163 (Cuiabá até Santarém), uma estrada que para muitos seria impossível em período fora da seca. Para nós também seria se tivéssemos dado ouvidos aos que muito falam, sabem tudo e pouco fazem.
Eu já conhecia esta estrada, em tempos onde realmente a coisa era complicada. Asfalto só havia até Guarantã do Norte, Mato Grosso, depois eram 1.100 km de estrada de chão, até Santarém no Pará, pura terra vermelha como dizem na Amazônia.
Existem três tipos de estrada na Amazônia, segundo dizem aqui: A estrada vermelha (chão) a estrada preta (asfalto) e a estrada de água (rios).
Eu queria testar o poder de força de uma Kombi, e mais ainda, ela pesada, montada como motorhome, o nosso MiniZen, a tão maravilhosa Kombi Safári. Claro, o MiniZen tem uns ajustes na suspensão, diferente da original, por isso, com certeza, é mais resistente.
Depois de Guarantã do Norte já há asfalto, intercalando com estrada de chão e somando, talvez uns 400 km. Outros 600 continuam de terra, porém em muito boas condições, mesmo porque a estrada está sendo preparada para ter sua travessia concluída em asfalto até 2014. Já uns 100 km bem ruinzinho, e alguns pontos bem críticos. Onde caminhões carretas tinham que ter o apoio de tratores para ultrapassar, veículos baixos não passavam.
A Kombi é um veículo fantástico; é alta, de bom torque, de fácil manuseio/controle, pequena, e super espaçosa por dentro.
Cruzar está estrada para chegar em plena Amazônia de motorhome é uma satisfação muito gostosa. Não tanto pelo mérito, mas sim pelas belezas naturais que aqui existem, mais ainda é poder chegar via terrestre no rio mais belo da Amazônia, o Tapajós.
Há ainda muitas precariedades de postos de gasolina, banheiros limpos, restaurantes, etc. Para quem vêm com um motorhome esses problemas não existem.
Uma de minhas grandes satisfações é saber que a Victória Motorhomeshttp://www.victoriamotorhomes.com.br/, não deixou o sonho da Kombi home morrer no Brasil. Fico imaginando quantos poderão vir para estes lados com sua Kombinet. Esse pequeno motorhome muito bem montado e por um custo muito baixo se for comparado com o que tem no mercado de Motor Casa no Brasil.
Tá dito, tá feito, tá comprovado… com um motorhome sobre uma Kombi se chega, via terrestre, a Amazônia.
Tanto tempo viajando, tantas alegrias, tantas saudades, tantas tristezas, tantas pazes, tantos desfrutes… mas eu queria e quero ver é a Humanidade…a humanidade!
Parece difícil eu dizer às pessoas que pouco me importa o seu mundo, o seu partido, a sua religião, o seu “status quo”, os seus bens… nada disso me tem valor… Eu quero ver a humanidade.
Talvez umas três vezes vi pais ensinando seus filhos a serem humanos e seguirem a humanidade… Minha vida, por mais que viajei, foi ver humanos seguindo sociedades. Alguns com orgulhando desfilavam seus conhecimentos sobre modelos sociais e países socialmente avançados… Bobos!
Mal sabem que de nada vale o dito desenvolvimento social, pois isso só esfria o amor.
Amor é humanidade!
De que vale seguir e ensinar leis de uma sociedade se todas elas são passageiras? Isso só serve para quem não crê no infinito. Hoje, nossa sociedade ensina o consumo e pais ensinam os seus filhos como ganhar dinheiro para poder consumir, travestido de ser feliz… Insanidade humana tudo isso.
Humanidade está longe, muito longe de ser sociedade. Tão longe que os que crêem numa forma de sociedade, não percebem o que seria a humanidade sem sociedades e que poderiam ser mais livres que os pássaros.
Passamos a noite em Trairão, Pará, assim como as outras cidades no transcorrer desta estrada do lado do Pará, são precárias. Mas para quem ama o clima que envolve a Amazônia elas são deliciosas…
O último trecho que fizemos antes de chegar a Santarém no Pará foi, por um lado mais fácil, porém por outro, em alguns trechos, rezando para não chover mais.
Depois de Trairão até o entroncamento com a Transamazônica está uma beleza. A BR 230, a qual no passado era conhecida também como Transamargura, está ótima também… estão preparando-a para o asfalto. Já depois da cidade de Rurópolis, onde a rodovia volta ser a BR 163, os primeiros 50 km estão um caos, mas também estão asfaltando. O restante já está toda asfaltado.